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Gwangjang ao Amanhecer: o mercado mais antigo de Seul e o cheiro de bindaetteok na frigideira
Gastronomia 🇰🇷 South Korea

Gwangjang ao Amanhecer: o mercado mais antigo de Seul e o cheiro de bindaetteok na frigideira

Gwangjang ao amanhecer: descubra bindaetteok, yukhoe e mayak gimbap no mercado mais antigo de Seul desde 1905. Dicas práticas de horário e orçamento.

| 6 min de leitura

O vapor sobe antes mesmo do sol aparecer. No Mercado Gwangjang, em Seul, as frigideiras já crepitam às seis da manhã, e o cheiro de bindaetteok — o bolinho de feijão-verde frito na gordura quente — toma conta dos corredores de azulejo como um abraço. Este é o mercado mais antigo da Coreia do Sul em funcionamento contínuo, aberto desde 1905, e continua sendo o lugar onde os moradores de Seul tomam o café da manhã de verdade.

Melhor horário para visitar

A mágica do Gwangjang acontece entre 5h30 e 9h da manhã. É nessa janela que as bancas de comida têm fila de coreanos locais — não de turistas — e que a luz dourada entra pelas laterais do mercado coberto, criando aquele visual de névoa e vapor que parece saído de um filme. Depois das 10h, o movimento se diversifica bastante, com grupos de turistas chegando em quantidade, e as filas nas bancas mais famosas podem passar de 40 minutos.

Em termos de época do ano, março a maio (primavera) e setembro a novembro (outono) oferecem temperaturas agradáveis para caminhar até o mercado a pé desde a estação de metrô. No inverno — dezembro a fevereiro — o frio de Seul pode passar dos -5°C, mas o vapor quente das frigideiras torna a experiência quase cinematográfica. Julho e agosto são os meses mais quentes e úmidos, com chuvas de monção que tornam o percurso até a entrada um pouco desafiador.

Experiências essenciais no Gwangjang

Bindaetteok — o bolinho de feijão-verde frito

Se existe um único prato que define o Gwangjang, é o bindaetteok. Feito de feijão-verde triturado, kimchi, broto de feijão e, às vezes, carne de porco, a massa é despejada direto na chapa de ferro quente e frita até formar uma casca dourada e crocante por fora, macia e levemente ácida por dentro. O aroma é denso, fumacento, completamente irresistível. As bancas mais antigas ficam no corredor central, e é possível sentar em banquinhos ao redor da frigideira e comer olhando a senhora de avental virar os bolinhos com maestria de décadas.

Mayak Gimbap — os rolinhos “viciantes”

O nome “mayak” significa literalmente “narcótico” em coreano — e não é exagero. Esses pequenos rolinhos de arroz com cenoura, espinafre e ovo, mergulhados em molho de mostarda e soja, têm tamanho de um dedo mindinho e são impossíveis de comer só um. A banca mais famosa fica na entrada leste do mercado e existe há mais de 50 anos. Diferente do gimbap convencional dos restaurantes, a versão do Gwangjang é compacta, quase sem recheio, e a beleza está exatamente nisso: no arroz temperado e no molho que equilibra doce, ácido e salgado.

Yukhoe — tartare de carne coreano

O yukhoe é um dos pratos mais delicados do mercado: tiras finíssimas de carne bovina crua, temperadas com óleo de gergelim, alho, açúcar e pera ralada, montadas sobre um ninho de brotos de feijão e coroadas com uma gema de ovo. A textura é sedosa, o sabor é complexo — doce, salgado, levemente amargo do gergelim. No Gwangjang, algumas bancas se especializam exclusivamente nesse prato e têm fornecedores de carne certificados que entregam diariamente antes das seis da manhã. É um café da manhã para os corajosos, e os moradores de Seul o consomem com naturalidade absoluta.

Tteok — bolos de arroz artesanais

No andar superior do Gwangjang existe um mundo paralelo e mais silencioso: as bancas de tteok, os bolos de arroz coreanos. Aqui, senhoras de mãos experientes empilham camadas coloridas de arroz glutinoso, feijão vermelho, sementes de gergelim e castanha. Os tteok do Gwangjang não são para consumo imediato na banca — a maioria é vendida por peso para ser levada pra casa ou como presente. Mas é possível comprar peças avulsas e comer caminhando. A variedade é densa: injeolmi (coberto de pó de feijão torrado), songpyeon (recheado de mel e amendoim), sujeonggwa tteok (com infusão de canela).

Corredor Têxtil Histórico — o outro Gwangjang

O Mercado Gwangjang não é só comida. Antes de virar destino gastronômico, era — e ainda é — o maior mercado têxtil da Coreia do Sul. O corredor de tecidos existe desde a fundação em 1905 e abriga centenas de boxes com seda, linho, hanbok (traje tradicional coreano) e bordados artesanais. Caminhar por essa ala nas primeiras horas da manhã, quando os comerciantes estão abrindo os rolos de tecido à luz do dia, é uma experiência sensorial completamente diferente: silêncio, textura, cores saturadas de seda coreana empilhadas do chão ao teto.

Roteiro recomendado

Este roteiro cobre o melhor do Gwangjang em meio período, saindo no horário ideal.

06h00 — Chegada pela saída 9 do metrô Jongno 5-ga (linha 1, azul). O corredor já tem movimento, o vapor está no auge.

06h10 → Vá direto ao corredor central para garantir lugar nas bancas de bindaetteok. Peça uma porção com makgeolli. (30 min)

06h45 → Caminhe até a ala norte para o yukhoe. Melhor apreciar sentado, sem pressa. (25 min)

07h15 → Volte à entrada leste para os mayak gimbap. Fila rápida se você tiver dinheiro trocado. (15 min)

07h35 → Explore o corredor têxtil enquanto os comerciantes ainda estão abrindo as bancas — luz natural linda, sem multidão. (30 min)

08h20 → Suba ao segundo andar para os tteok artesanais. Espere o injeolmi quente das 8h30. (25 min)

09h00 → Saída. O mercado começa a encher de turistas a partir desse horário.

🚇 Metrô: Linha 1 (azul), estação Jongno 5-ga, saída 9. Caminhada de 2 minutos.

Orçamento, transporte e reservas

O Gwangjang é democrático: dá para comer muito bem gastando pouco.

Reservas: nenhuma banca exige reserva prévia. O sistema é inteiramente por ordem de chegada. Para grupos acima de 8 pessoas, algumas bancas pedem que se avise na chegada para organizar o espaço.

Dinheiro: leve won coreano em espécie. Muitas bancas antigas não aceitam cartão ou pagamentos digitais. Há caixas eletrônicos na entrada do mercado.

Dicas essenciais

Fechando o passeio

O Gwangjang ao amanhecer é uma dessas experiências que Seul guarda para quem acorda cedo e vai sem mapa fixo. O vapor do bindaetteok, o barulho da frigideira, a senhora que sorri ao perceber que você voltou para pedir mais um — tudo isso é a cidade sendo ela mesma, sem performance para câmera. A dica mais importante é simples: chegue antes do sol aparecer completamente, sente em qualquer banquinho do corredor central e deixe o cheiro guiar o resto da manhã. O roteiro vai se fazer sozinho.

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🏨 Onde ficar

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